Entrevistando professora Kelly

Shalom galerinha do blog, hj eu trago para vocês uma entrevista maravilhosa com uma menina muito querida e muito inteligente, que tem dicas preciosas para os alunos de hebraico.

Seu nome é Kelly dona do blog   http://idiomahebraico.blogspot.com e as dicas dela vai ser muito útil para qualquer aluno que deseja aprender hebraico de maneira autodidata, pois ela é um ótimo exemplo de persistência e organização demonstrando que qualquer aluno que se dedica ao estudo sozinho consegue obter seus objetivos.

Sem falar que ela é uma pessoa linda com um senso de humor muito sutil e inteligente é daquelas meninas que você vai gostar de ter como amiga.

1: Muito obrigado Kelly por esta entrevista, o blog cafecomhebraico e nossos leitores agradecem a sua participação.

R: Olá! Também fico agradecida pela oportunidade de estar participando desse blog através dessa pequena entrevista.

2: Para começar a nossa entrevista de maneira descontraída, fale um pouco sobre você como pessoa, as coisas que gosta de fazer no dia-a-dia , e como você se auto descreve.

R: Sou uma pessoa muito simples e gosto de coisas simples. Gosto de passar o tempo refletindo, escrevendo, ouvindo música, estudando idiomas, assistindo documentários relativos à saúde e à investigação policial. Como uma boa mineira, também gosto de comer comida preparada no fogão a lenha e um bom pão de queijo. Uma versão de um trecho da oração do Pai Nosso aqui em Minas Gerais é assim: “… o PÃO DE QUEIJO nosso de cada dia, dai-nos hoje…” (risos).

3: Como você aprendeu hebraico, quais cursos frequentou, as estratégias de estudo que  usou, e qual foi o motivo que te fez estudar este idioma?

R: Meu primeiro contato com o hebraico se deu a muitos anos atrás. O idioma hebraico fazia parte da grade curricular da instituição na qual eu estudava. Se tratava de hebraico clássico. Eu aprendi apenas o alfabeto e algumas pequenas regras gramaticais.

Tempos depois, comecei a estudar hebraico moderno em um curso de extensão da UFMG, mas fui apenas uns dois ou três meses, pois como sou autodidata e aprendo as coisas muito rápido, não consegui me adaptar ao ritmo do curso da universidade. Não tive paciência para dar continuidade ao curso e levar vários meses para aprender aquilo que eu poderia aprender em poucas semanas.

Assim que saí do curso da UFMG, resolvi estudar por conta própria. Como sempre tive muito tempo livre e um bom livro de hebraico (que comprei em 2004), decidi estudar três horas diárias, por 30 dias. Uma hora era dedicada à escrita, uma hora à audição e mais uma hora à leitura. Ao fim do mês, já possuía um bom vocabulário, uma boa dicção e um bom ouvido para o idioma. Tais fatores contribuíram significativamente na hora de praticar o idioma falado.

O motivo de eu estudar hebraico foi simples: Eu simplesmente sou apaixonada pelos idiomas do Oriente Médio: o árabe, o hebraico, o farsi (ou persa) e alguns outros dialetos. Comecei pelo hebraico porque é o idioma mais fácil e simples. Também, eu já possuía um bom livro e quis aproveitá-lo.

4: Com o advento da internet, muitas pessoas tem se dedicado ao estudo de idiomas de maneira autodidata, mas infelizmente ainda se tem poucas sites de ensino de hebraico no brasil. Você poderia descrever aos nossos leitores o seu processo de aquisição da língua, como foi para você começar a estudar hebraico pela primeira vez , e como você conseguiu fluência em apenas 2 meses de estudo?

R: Na internet há muito material, mas todas as informações e ensinamentos acerca do idioma estão fragmentados, ou seja, em cada site ou blog há um pouco de informação. Não há na internet um domínio gratuito que agregue em si todo o material necessário para o aprendizado do idioma, de forma que não seja necessário buscá-lo em outra fonte. Sites, blogs, comunidades e fóruns servem apenas como algo complementar no processo do aprendizado do hebraico, bem como no compartilhamento de informações. Mas apenas o material disponível online não é, por si só, suficiente.

Enquanto esse ambiente virtual de ensinamento pleno do hebraico ainda não existe, a coisa mais sensata a se fazer é procurar comprar bons livros, ter dedicação nos estudos e, para aqueles que não são autodidatas, procurar um bom professor.

Como eu disse anteriormente, eu estudei o hebraico por 30 dias e isso fez com que eu adquirisse um bom vocabulário. Coincidentemente, quando eu estava terminando de estudar o livro, tive a oportunidade de conhecer alguns palestinos que falavam hebraico. Tornamo-nos amigos e passamos a conversar diariamente. Isso ajudou bastante, pois eu pude usar todas as palavras e verbos que aprendi, bem como tive a oportunidade de aprender inúmeras outras. Durante esse período, também fiz muitas traduções de músicas, o que só veio a somar no meu vocabulário e dicção. Ao fim de dois meses eu já havia conseguido um bom vocabulário e uma facilidade para falar de forma que se eu fosse para Israel, conseguiria me comunicar sem nenhuma dificuldade.

Tudo isso foi fruto da minha determinação, do meu esforço e da contribuição dos amigos palestinos que conheci, com os quais pude treinar a fala e aprender coisas que não são encontradas nos livros. O nosso cérebro tem um enorme potencial e quanto mais o usamos, mais potente ele se torna. Devemos desfrutar ao máximo dele. Ele não está dentro da nossa cabeça apenas para preencher um vazio, ele está lá para ser USADO! Utilize ao máximo o seu cérebro.

5:No seu aprendizado de hebraico qual parte você deu mais ênfase? Escutar,falar ou escrever em hebraico?

R: Dei ênfase às três coisas simultaneamente. Para falar bem, é necessário ouvir com bastante atenção aquilo que é dito. Escrever bem é uma forma de fixar aquilo que você ouviu e falou. Também, a escrita é uma oportunidade a mais que você dá ao cérebro de recordar aquilo que foi aprendido. Sua memória não se restringirá apenas ao campo auditivo, mas também ao visual, a partir do momento em que você recordar das palavras escritas. Não aprender o idioma escrito é, a meu ver, uma forma de contribuir com o analfabetismo.

Já tive algumas experiências engraçadas nesse sentido. Um dos meus amigos palestinos fala bem o hebraico, mas não sabe escrevê-lo. Seu conhecimento do alfabeto ocidental é o mínimo, de forma que ele não sabe escrever o próprio nome com as letras que usamos. Já aconteceu de o microfone dele estragar e termos de nos comunicar via texto. Ele escrevia o hebraico com letras árabes. A mensagem começava assim: “شالوم ما شلومخ؟”… com letras ocidentais (latinas) seria “shalom, ma shlomech? – Oi, tudo bom?”. Para a minha sorte eu conhecia o alfabeto árabe e pude entender o que ele estava querendo dizer. Depois de um tempo, ele aprendeu as letras hebraicas, mas como aprendeu o hebraico apenas falado, não pode escrever o hebraico de maneira correta, já que nesse idiomas existem várias letras com sons iguais ou parecidos, fazendo com que ele usasse o que lhe viesse a mente. Por muitas vezes, era cômica a forma como ele escrevia as palavras! Percebi com toda essa situação o quão importante é o conhecimento escrito do idioma, sem ele, em algumas situações, fica complicado de se comunicar.

6: O que você pensa do ensino de hebraico no brasil, e quais as mudanças necessárias no atual modo de ensino para ajudar o falante de português?

R: Acho o ensino de hebraico no Brasil ainda um pouco fraco, talvez, devido ao baixo número de procura (em relação aos outros idiomas). Em língua portuguesa há pouco material de fato bom! Há vários livros, mas a maioria é muito complicada ou repetitiva. Também, a maioria dos livros não organizam o conteúdo de forma lógica e prática. Alguns livros trás tantas informações que acabam por confundir a cabeça das pessoas, outros, apesar de muito bons, trazem poucas explicações, e há aqueles que trazem pouco conteúdo e são demasiadamente repetitivos.

A meu ver, a metodologia do estudo dos verbos hebraicos em particular deve ser considerada e repensada, a fim de tornar as coisas mais fáceis para os falantes do português. Grande parte dos livros e de alguns sites e blogs, ensinam a conjugação do verbo hebraico partido da 3ª pessoa do singular do tempo passado! Isso é complicado para os falantes do português, pois aprendemos o verbo no infinitivo, e a partir daí o conjugamos no tempo presente, depois passado e futuro. Há formas mais fáceis de se ensinar esse tópico gramatical sem complicar tanto para as pessoas.

É necessário um livro com explicações de fácil compreensão, que traga um material numa ordem lógica e que seja bastante prático e aplicável aos que falam português – digo isso para livros de hebraico que tem como objetivo principal o ensino do idioma para a conversação cotidiana, pois para o estudo do hebraico clássico, as coisas são um pouco diferentes, apesar de que há a possibilidade de torná-las mais práticas também.

7: Você pensa em visitar Israel algum dia, e qual importância de se visitar Israel no aprendizado de hebraico?

R: Pretendo visitar Israel esse ano para passear um pouco, encontrar os amigos, estudar melhor o dialeto árabe palestino, dentre outras coisas.

Todo aluno que estuda um idioma deve, em algum momento, ter contato com a cultura e a língua a qual ele estuda. Para quem estuda hebraico, visitar Israel é algo essencial, mas não sei bem se é uma boa ideia visitar esse país sem ter um conhecimento razoável do idioma. Penso isso por alguns motivos:

Se a pessoa tem um conhecimento mínimo do hebraico e for fazer uma viagem com fins de aprendizado, seu aproveitamento será relativamente pouco. Se não for para estudar lá, é melhor aguardar um pouco antes de ir. Se o motivo da viagem é apenas turístico, tudo bem.

Um iniciante do hebraico pode, ao ouvir o idioma em seu ritmo natural, ficar um pouco espantado e sentir-se um tanto desanimado ao ver e ouvir de perto que, apesar de estar estudando, não sabe praticamente nada. Se alguém pretende vivenciar tal experiência com um conhecimento mínimo de hebraico, deve estar psicologicamente preparado e ter em sua mente que, apesar de não entender nada no momento, com o tempo de estudo e dedicação, ele poderá, um dia, fazer parte daquela dinâmica do idioma.

Penso ser possível conseguir um bom nível de hebraico antes de visitar Israel. Com a facilidade de interação e comunicação gerada pela internet, é possível conhecer israelenses e outros falantes fluentes do hebraico sem sair de casa. Há sites muito bons para isso, cito como exemplo o http://www.interpals.net Nesse site é possível conhecer e interagir com pessoas do mundo todo, inclusive israelenses e palestinos falantes do hebraico. No próprio site há um sistema de filtro, onde você pode escolher pessoas por país, idioma, gênero, idade e interesses. É muito prático. Em poucos minutos é possível conhecer pessoas do idioma ao qual você tem interesse, trocar mensagens através do site e assim, conseguir o MSN ou Skype da pessoa. Dessa forma, uma amizade virtual pode começar, e com ela a prática do idioma. Deve ser mencionado também a facilidade com a qual pode ser encontrados canais online de TV israelense, DVDs com shows e músicas para download. Se você passar um bom tempo assistindo a um programa, ouvindo música ou assistindo a um show, você tem a oportunidade de treinar seu hebraico e aprender várias palavras novas a cada dia.

Acredito que fazendo tudo isso antes de viajar, um contato posterior com o idioma será muito mais proveitoso, agradável e divertido.

8: Na sua opinião quais são as maiores dificuldades que um aluno brasileiro tem para ser fluente em hebraico?

R : A primeira dificuldade é a própria pessoa. Para se aprender algo, é necessário determinação, dedicação, organização e “fé” na capacidade que há dentro do cérebro de cada um. O primeiro obstáculo a ser superado é o obstáculo da vontade que vai contra os próprios objetivos.

O segundo obstáculo é a questão de não se ter um único material que reúna em si tudo aquilo que é necessário para o aprendizado do idioma. Mas se a pessoa de fato deseja alcançar seu objetivo, esse obstáculo pode ser superado. Basta ter bom ânimo para por em ordem os materiais oriundos de várias partes, caso seja necessário.

Na bandeira do Brasil está escrito: “Ordem e Progresso”. Acredito que todos aqueles que se dispõem a estudar um idioma (ou seja lá o que for), deve usar uma frase parecida: “Ordem GERA Progresso”. Ponha em ordem todas as coisas e seja dedicado, o progresso será um fruto natural dessa atitude.

9: Como surgiu a idéia de criar um blog sobre Hebraico? E qual são seus objetivos com o blog?

R: Criei meu blog (http://idiomahebraico.blogspot.com) no intuito de fornecer às pessoas esclarecimentos gramaticais do idioma hebraico em linguagem simples e metodologia prática. Não é um blog que ensina conversação, mas tirando certas dúvidas gramaticais, principalmente as relativas à conjugação verbal, se torna possível uma melhor compreensão do idioma e somado a outros matérias, irá, de certa forma, ajudar na conversação.

Quis criar o blog também porque na época em que estava estudando procurei na internet sites e blogs que pudessem me auxiliar de maneira prática em certas questões gramaticais, mas não encontrei. Espero que meu blog possa contribuir para o esclarecimento de certas dúvidas que as pessoas que estudam o idioma hebraico possuem.

10.  Você poderia dar um conselho para aqueles   que estão começando a estudar hebraico.

R: Alguns conselhos básicos:

Seja determinado e não se desanime diante das dificuldades. Dificuldades existem para serem superadas. Dificuldade não significa “fim do caminho”. Prossiga firme em seus objetivos.

Lembre-se que o hebraico é um idioma que possui um alfabeto diferente, ou seja, o ALFABETO HEBRAICO, então, procure se esforçar para aprender esse alfabeto, por mais estranho que pareça. Esforce-se para aprendê-lo para que não seja necessário ficar dependendo de transliterações. As transliterações servem apenas para saber qual letra hebraica corresponde, aproximadamente, ao nosso alfabeto. Nada de ficar escrevendo hebraico transliterado. Isso atrasa a mente da pessoa e impede o seu bom desempenho e progresso no aprendizado correto do idioma. Evite o máximo que puder usar transliterações! Você gostaria de teclar ou se corresponder via escrita com alguém que escrevesse português com letras de outro alfabeto, como por exemplo, alfabeto árabe, hebraico, grego ou russo? Acredito que não, pois os alfabetos que acabei de citar não são alfabetos com o qual o português é escrito, o português é escrito com caracteres latinos. A mesma situação ocorre com quem tem como idioma o hebraico. Você acha que a pessoa do outro lado vai ficar contente e satisfeita ao ver você digitando o idioma dela com letras que não são típicas de seu idioma? E mais outra coisa… Você diz que sabe hebraico, fala alguma coisa para as pessoas e então alguém te pede para escrever a ela algo em hebraico, não apenas a transliteração, mas como aquilo é de fato escrito em hebraico. O que você fará? Depois da transliteração fará um monte de rabiscos loucos e dirá que é hebraico? Preze a escrita do idioma tal qual ela é.

Lembre-se que o idioma hebraico não possui vogais, aqueles pontinho chamados nekudot, que funcionam como vogais não fazem parte do hebraico moderno. Coloque a mente para trabalhar e use o mínimo possível esses sinais vocálicos. Não se torne um viciado em nekudot! Isso atrapalha seu desempenho e progresso no aprendizado do idioma. Eu aprendi o hebraico sem nenhum nekudot sem dificuldade alguma. Tudo é uma questão de treinar seu cérebro, por mais difícil que pareça no princípio, sua mente acaba dando um jeito de aprender o idioma sem aqueles pontinhos infindos. E tem mais, NÃO EXISTE nekudot em sites e blogs normais no idioma hebraico. NÃO EXISTE nekudot no teclado hebraico do sistema operacional do seu computador (fontes hebraicas que trazem nekudot não fazem parte do sistema operacional do computador, você só poderá utilizá-la no Word ou outro editor de texto apenas). NÃO EXISTE nekudot na hora de teclar com alguém em alguma sala de bate papo, no MSN ou no Skype. Então, seja bom com você mesmo e evite futuros problemas.

11: Quais são seus próximos projetos de vida que envolvam o hebraico ?

R: Pretendo fazer vídeo aulas com explicações elementares da gramática hebraica e mostrar sua aplicação na linguagem falada do dia a dia. Também, pretendo fazer vídeos que auxiliarão as pessoas na fluência do idioma, com frases usadas no dia a dia, gírias, expressões idiomáticas e coisas do tipo.

Pretendo mais adiante escrever um livro que ensine o hebraico coloquial de maneira a preencher todas as lacunas existentes nos livros até agora conhecidos. Um livro simples, claro e prático para falantes do português. Porém, preciso descansar um pouco, pois nos últimos meses escrevi 4 livros, traduzi um e ainda tenho mais dois a serem escritos. Então, acho que levará um tempinho até o livro de hebraico sair. Mas espero que eu possa escrevê-lo assim que possível.

12: Novamente agradecemos a sua paciência de responder as nossas perguntas , Ficamos profundamente gratos com sua atenção e desejamos muito sucesso com seu blog.

R: Obrigada! Também desejo progresso e sucesso aos leitores do cafecomhebraico, para que possam lograr bom êxito em seus estudos. Estou a disposição para possíveis dúvidas e questionamentos, meus contatos estão no meu blog e, na medida do possível, tentarei ajudar aqueles que necessitam.

http://idiomahebraico.blogspot.com

Atenciosamente,

Kelly

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