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Entrevistando professora Kelly

abril 2, 2011

Shalom galerinha do blog, hj eu trago para vocês uma entrevista maravilhosa com uma menina muito querida e muito inteligente, que tem dicas preciosas para os alunos de hebraico.

Seu nome é Kelly dona do blog   http://idiomahebraico.blogspot.com e as dicas dela vai ser muito útil para qualquer aluno que deseja aprender hebraico de maneira autodidata, pois ela é um ótimo exemplo de persistência e organização demonstrando que qualquer aluno que se dedica ao estudo sozinho consegue obter seus objetivos.

Sem falar que ela é uma pessoa linda com um senso de humor muito sutil e inteligente é daquelas meninas que você vai gostar de ter como amiga.

1: Muito obrigado Kelly por esta entrevista, o blog cafecomhebraico e nossos leitores agradecem a sua participação.

R: Olá! Também fico agradecida pela oportunidade de estar participando desse blog através dessa pequena entrevista.

2: Para começar a nossa entrevista de maneira descontraída, fale um pouco sobre você como pessoa, as coisas que gosta de fazer no dia-a-dia , e como você se auto descreve.

R: Sou uma pessoa muito simples e gosto de coisas simples. Gosto de passar o tempo refletindo, escrevendo, ouvindo música, estudando idiomas, assistindo documentários relativos à saúde e à investigação policial. Como uma boa mineira, também gosto de comer comida preparada no fogão a lenha e um bom pão de queijo. Uma versão de um trecho da oração do Pai Nosso aqui em Minas Gerais é assim: “… o PÃO DE QUEIJO nosso de cada dia, dai-nos hoje…” (risos).

3: Como você aprendeu hebraico, quais cursos frequentou, as estratégias de estudo que  usou, e qual foi o motivo que te fez estudar este idioma?

R: Meu primeiro contato com o hebraico se deu a muitos anos atrás. O idioma hebraico fazia parte da grade curricular da instituição na qual eu estudava. Se tratava de hebraico clássico. Eu aprendi apenas o alfabeto e algumas pequenas regras gramaticais.

Tempos depois, comecei a estudar hebraico moderno em um curso de extensão da UFMG, mas fui apenas uns dois ou três meses, pois como sou autodidata e aprendo as coisas muito rápido, não consegui me adaptar ao ritmo do curso da universidade. Não tive paciência para dar continuidade ao curso e levar vários meses para aprender aquilo que eu poderia aprender em poucas semanas.

Assim que saí do curso da UFMG, resolvi estudar por conta própria. Como sempre tive muito tempo livre e um bom livro de hebraico (que comprei em 2004), decidi estudar três horas diárias, por 30 dias. Uma hora era dedicada à escrita, uma hora à audição e mais uma hora à leitura. Ao fim do mês, já possuía um bom vocabulário, uma boa dicção e um bom ouvido para o idioma. Tais fatores contribuíram significativamente na hora de praticar o idioma falado.

O motivo de eu estudar hebraico foi simples: Eu simplesmente sou apaixonada pelos idiomas do Oriente Médio: o árabe, o hebraico, o farsi (ou persa) e alguns outros dialetos. Comecei pelo hebraico porque é o idioma mais fácil e simples. Também, eu já possuía um bom livro e quis aproveitá-lo.

4: Com o advento da internet, muitas pessoas tem se dedicado ao estudo de idiomas de maneira autodidata, mas infelizmente ainda se tem poucas sites de ensino de hebraico no brasil. Você poderia descrever aos nossos leitores o seu processo de aquisição da língua, como foi para você começar a estudar hebraico pela primeira vez , e como você conseguiu fluência em apenas 2 meses de estudo?

R: Na internet há muito material, mas todas as informações e ensinamentos acerca do idioma estão fragmentados, ou seja, em cada site ou blog há um pouco de informação. Não há na internet um domínio gratuito que agregue em si todo o material necessário para o aprendizado do idioma, de forma que não seja necessário buscá-lo em outra fonte. Sites, blogs, comunidades e fóruns servem apenas como algo complementar no processo do aprendizado do hebraico, bem como no compartilhamento de informações. Mas apenas o material disponível online não é, por si só, suficiente.

Enquanto esse ambiente virtual de ensinamento pleno do hebraico ainda não existe, a coisa mais sensata a se fazer é procurar comprar bons livros, ter dedicação nos estudos e, para aqueles que não são autodidatas, procurar um bom professor.

Como eu disse anteriormente, eu estudei o hebraico por 30 dias e isso fez com que eu adquirisse um bom vocabulário. Coincidentemente, quando eu estava terminando de estudar o livro, tive a oportunidade de conhecer alguns palestinos que falavam hebraico. Tornamo-nos amigos e passamos a conversar diariamente. Isso ajudou bastante, pois eu pude usar todas as palavras e verbos que aprendi, bem como tive a oportunidade de aprender inúmeras outras. Durante esse período, também fiz muitas traduções de músicas, o que só veio a somar no meu vocabulário e dicção. Ao fim de dois meses eu já havia conseguido um bom vocabulário e uma facilidade para falar de forma que se eu fosse para Israel, conseguiria me comunicar sem nenhuma dificuldade.

Tudo isso foi fruto da minha determinação, do meu esforço e da contribuição dos amigos palestinos que conheci, com os quais pude treinar a fala e aprender coisas que não são encontradas nos livros. O nosso cérebro tem um enorme potencial e quanto mais o usamos, mais potente ele se torna. Devemos desfrutar ao máximo dele. Ele não está dentro da nossa cabeça apenas para preencher um vazio, ele está lá para ser USADO! Utilize ao máximo o seu cérebro.

5:No seu aprendizado de hebraico qual parte você deu mais ênfase? Escutar,falar ou escrever em hebraico?

R: Dei ênfase às três coisas simultaneamente. Para falar bem, é necessário ouvir com bastante atenção aquilo que é dito. Escrever bem é uma forma de fixar aquilo que você ouviu e falou. Também, a escrita é uma oportunidade a mais que você dá ao cérebro de recordar aquilo que foi aprendido. Sua memória não se restringirá apenas ao campo auditivo, mas também ao visual, a partir do momento em que você recordar das palavras escritas. Não aprender o idioma escrito é, a meu ver, uma forma de contribuir com o analfabetismo.

Já tive algumas experiências engraçadas nesse sentido. Um dos meus amigos palestinos fala bem o hebraico, mas não sabe escrevê-lo. Seu conhecimento do alfabeto ocidental é o mínimo, de forma que ele não sabe escrever o próprio nome com as letras que usamos. Já aconteceu de o microfone dele estragar e termos de nos comunicar via texto. Ele escrevia o hebraico com letras árabes. A mensagem começava assim: “شالوم ما شلومخ؟”… com letras ocidentais (latinas) seria “shalom, ma shlomech? – Oi, tudo bom?”. Para a minha sorte eu conhecia o alfabeto árabe e pude entender o que ele estava querendo dizer. Depois de um tempo, ele aprendeu as letras hebraicas, mas como aprendeu o hebraico apenas falado, não pode escrever o hebraico de maneira correta, já que nesse idiomas existem várias letras com sons iguais ou parecidos, fazendo com que ele usasse o que lhe viesse a mente. Por muitas vezes, era cômica a forma como ele escrevia as palavras! Percebi com toda essa situação o quão importante é o conhecimento escrito do idioma, sem ele, em algumas situações, fica complicado de se comunicar.

6: O que você pensa do ensino de hebraico no brasil, e quais as mudanças necessárias no atual modo de ensino para ajudar o falante de português?

R: Acho o ensino de hebraico no Brasil ainda um pouco fraco, talvez, devido ao baixo número de procura (em relação aos outros idiomas). Em língua portuguesa há pouco material de fato bom! Há vários livros, mas a maioria é muito complicada ou repetitiva. Também, a maioria dos livros não organizam o conteúdo de forma lógica e prática. Alguns livros trás tantas informações que acabam por confundir a cabeça das pessoas, outros, apesar de muito bons, trazem poucas explicações, e há aqueles que trazem pouco conteúdo e são demasiadamente repetitivos.

A meu ver, a metodologia do estudo dos verbos hebraicos em particular deve ser considerada e repensada, a fim de tornar as coisas mais fáceis para os falantes do português. Grande parte dos livros e de alguns sites e blogs, ensinam a conjugação do verbo hebraico partido da 3ª pessoa do singular do tempo passado! Isso é complicado para os falantes do português, pois aprendemos o verbo no infinitivo, e a partir daí o conjugamos no tempo presente, depois passado e futuro. Há formas mais fáceis de se ensinar esse tópico gramatical sem complicar tanto para as pessoas.

É necessário um livro com explicações de fácil compreensão, que traga um material numa ordem lógica e que seja bastante prático e aplicável aos que falam português – digo isso para livros de hebraico que tem como objetivo principal o ensino do idioma para a conversação cotidiana, pois para o estudo do hebraico clássico, as coisas são um pouco diferentes, apesar de que há a possibilidade de torná-las mais práticas também.

7: Você pensa em visitar Israel algum dia, e qual importância de se visitar Israel no aprendizado de hebraico?

R: Pretendo visitar Israel esse ano para passear um pouco, encontrar os amigos, estudar melhor o dialeto árabe palestino, dentre outras coisas.

Todo aluno que estuda um idioma deve, em algum momento, ter contato com a cultura e a língua a qual ele estuda. Para quem estuda hebraico, visitar Israel é algo essencial, mas não sei bem se é uma boa ideia visitar esse país sem ter um conhecimento razoável do idioma. Penso isso por alguns motivos:

Se a pessoa tem um conhecimento mínimo do hebraico e for fazer uma viagem com fins de aprendizado, seu aproveitamento será relativamente pouco. Se não for para estudar lá, é melhor aguardar um pouco antes de ir. Se o motivo da viagem é apenas turístico, tudo bem.

Um iniciante do hebraico pode, ao ouvir o idioma em seu ritmo natural, ficar um pouco espantado e sentir-se um tanto desanimado ao ver e ouvir de perto que, apesar de estar estudando, não sabe praticamente nada. Se alguém pretende vivenciar tal experiência com um conhecimento mínimo de hebraico, deve estar psicologicamente preparado e ter em sua mente que, apesar de não entender nada no momento, com o tempo de estudo e dedicação, ele poderá, um dia, fazer parte daquela dinâmica do idioma.

Penso ser possível conseguir um bom nível de hebraico antes de visitar Israel. Com a facilidade de interação e comunicação gerada pela internet, é possível conhecer israelenses e outros falantes fluentes do hebraico sem sair de casa. Há sites muito bons para isso, cito como exemplo o http://www.interpals.net Nesse site é possível conhecer e interagir com pessoas do mundo todo, inclusive israelenses e palestinos falantes do hebraico. No próprio site há um sistema de filtro, onde você pode escolher pessoas por país, idioma, gênero, idade e interesses. É muito prático. Em poucos minutos é possível conhecer pessoas do idioma ao qual você tem interesse, trocar mensagens através do site e assim, conseguir o MSN ou Skype da pessoa. Dessa forma, uma amizade virtual pode começar, e com ela a prática do idioma. Deve ser mencionado também a facilidade com a qual pode ser encontrados canais online de TV israelense, DVDs com shows e músicas para download. Se você passar um bom tempo assistindo a um programa, ouvindo música ou assistindo a um show, você tem a oportunidade de treinar seu hebraico e aprender várias palavras novas a cada dia.

Acredito que fazendo tudo isso antes de viajar, um contato posterior com o idioma será muito mais proveitoso, agradável e divertido.

8: Na sua opinião quais são as maiores dificuldades que um aluno brasileiro tem para ser fluente em hebraico?

R : A primeira dificuldade é a própria pessoa. Para se aprender algo, é necessário determinação, dedicação, organização e “fé” na capacidade que há dentro do cérebro de cada um. O primeiro obstáculo a ser superado é o obstáculo da vontade que vai contra os próprios objetivos.

O segundo obstáculo é a questão de não se ter um único material que reúna em si tudo aquilo que é necessário para o aprendizado do idioma. Mas se a pessoa de fato deseja alcançar seu objetivo, esse obstáculo pode ser superado. Basta ter bom ânimo para por em ordem os materiais oriundos de várias partes, caso seja necessário.

Na bandeira do Brasil está escrito: “Ordem e Progresso”. Acredito que todos aqueles que se dispõem a estudar um idioma (ou seja lá o que for), deve usar uma frase parecida: “Ordem GERA Progresso”. Ponha em ordem todas as coisas e seja dedicado, o progresso será um fruto natural dessa atitude.

9: Como surgiu a idéia de criar um blog sobre Hebraico? E qual são seus objetivos com o blog?

R: Criei meu blog (http://idiomahebraico.blogspot.com) no intuito de fornecer às pessoas esclarecimentos gramaticais do idioma hebraico em linguagem simples e metodologia prática. Não é um blog que ensina conversação, mas tirando certas dúvidas gramaticais, principalmente as relativas à conjugação verbal, se torna possível uma melhor compreensão do idioma e somado a outros matérias, irá, de certa forma, ajudar na conversação.

Quis criar o blog também porque na época em que estava estudando procurei na internet sites e blogs que pudessem me auxiliar de maneira prática em certas questões gramaticais, mas não encontrei. Espero que meu blog possa contribuir para o esclarecimento de certas dúvidas que as pessoas que estudam o idioma hebraico possuem.

10.  Você poderia dar um conselho para aqueles   que estão começando a estudar hebraico.

R: Alguns conselhos básicos:

Seja determinado e não se desanime diante das dificuldades. Dificuldades existem para serem superadas. Dificuldade não significa “fim do caminho”. Prossiga firme em seus objetivos.

Lembre-se que o hebraico é um idioma que possui um alfabeto diferente, ou seja, o ALFABETO HEBRAICO, então, procure se esforçar para aprender esse alfabeto, por mais estranho que pareça. Esforce-se para aprendê-lo para que não seja necessário ficar dependendo de transliterações. As transliterações servem apenas para saber qual letra hebraica corresponde, aproximadamente, ao nosso alfabeto. Nada de ficar escrevendo hebraico transliterado. Isso atrasa a mente da pessoa e impede o seu bom desempenho e progresso no aprendizado correto do idioma. Evite o máximo que puder usar transliterações! Você gostaria de teclar ou se corresponder via escrita com alguém que escrevesse português com letras de outro alfabeto, como por exemplo, alfabeto árabe, hebraico, grego ou russo? Acredito que não, pois os alfabetos que acabei de citar não são alfabetos com o qual o português é escrito, o português é escrito com caracteres latinos. A mesma situação ocorre com quem tem como idioma o hebraico. Você acha que a pessoa do outro lado vai ficar contente e satisfeita ao ver você digitando o idioma dela com letras que não são típicas de seu idioma? E mais outra coisa… Você diz que sabe hebraico, fala alguma coisa para as pessoas e então alguém te pede para escrever a ela algo em hebraico, não apenas a transliteração, mas como aquilo é de fato escrito em hebraico. O que você fará? Depois da transliteração fará um monte de rabiscos loucos e dirá que é hebraico? Preze a escrita do idioma tal qual ela é.

Lembre-se que o idioma hebraico não possui vogais, aqueles pontinho chamados nekudot, que funcionam como vogais não fazem parte do hebraico moderno. Coloque a mente para trabalhar e use o mínimo possível esses sinais vocálicos. Não se torne um viciado em nekudot! Isso atrapalha seu desempenho e progresso no aprendizado do idioma. Eu aprendi o hebraico sem nenhum nekudot sem dificuldade alguma. Tudo é uma questão de treinar seu cérebro, por mais difícil que pareça no princípio, sua mente acaba dando um jeito de aprender o idioma sem aqueles pontinhos infindos. E tem mais, NÃO EXISTE nekudot em sites e blogs normais no idioma hebraico. NÃO EXISTE nekudot no teclado hebraico do sistema operacional do seu computador (fontes hebraicas que trazem nekudot não fazem parte do sistema operacional do computador, você só poderá utilizá-la no Word ou outro editor de texto apenas). NÃO EXISTE nekudot na hora de teclar com alguém em alguma sala de bate papo, no MSN ou no Skype. Então, seja bom com você mesmo e evite futuros problemas.

11: Quais são seus próximos projetos de vida que envolvam o hebraico ?

R: Pretendo fazer vídeo aulas com explicações elementares da gramática hebraica e mostrar sua aplicação na linguagem falada do dia a dia. Também, pretendo fazer vídeos que auxiliarão as pessoas na fluência do idioma, com frases usadas no dia a dia, gírias, expressões idiomáticas e coisas do tipo.

Pretendo mais adiante escrever um livro que ensine o hebraico coloquial de maneira a preencher todas as lacunas existentes nos livros até agora conhecidos. Um livro simples, claro e prático para falantes do português. Porém, preciso descansar um pouco, pois nos últimos meses escrevi 4 livros, traduzi um e ainda tenho mais dois a serem escritos. Então, acho que levará um tempinho até o livro de hebraico sair. Mas espero que eu possa escrevê-lo assim que possível.

12: Novamente agradecemos a sua paciência de responder as nossas perguntas , Ficamos profundamente gratos com sua atenção e desejamos muito sucesso com seu blog.

R: Obrigada! Também desejo progresso e sucesso aos leitores do cafecomhebraico, para que possam lograr bom êxito em seus estudos. Estou a disposição para possíveis dúvidas e questionamentos, meus contatos estão no meu blog e, na medida do possível, tentarei ajudar aqueles que necessitam.

http://idiomahebraico.blogspot.com

Atenciosamente,

Kelly

Entrevistando YairMau.

agosto 28, 2010

Shalom shalom shalom amigos do blog cafecomhebraico, hj nós vamos continuar  nova seção de entrevistas  no blog, hj vamos conversar com Yair Mau , dono de um dos blogs mais importantes na divulgação da musica hebraica no Brasil e isso se não for o único em língua portuguesa  deste tipo.

Com certeza essa entrevista vai inspirar seus estudos diários, assim como o blog dele inspira o meu estudo todo dia.

Antes de qualquer pergunta eu gostaria de agradecer ao nosso amigo Yair Mau por ter aceitado o convite de ser entrevistado .

1: Muito obrigado Yair Mau por esta entrevista o blog cafecomhebraico e nosso leitores agradecem a sua participação.

R: É um prazer ser entrevistado por esse blog!

2: Fale um pouco sobre você como pessoa.

R: Minha vida em poucas frases: Nasci em Israel, e aos 5 anos minha família se mudou a São Paulo. Cresci em SP, estudei, me formei, e aos 22 anos voltei a Israel. Estou em Israel há quase 6 anos, sou casado, e faço doutorado em Física na Universidade Ben-Gurion, em Be’er Sheva.

3: Como você aprendeu hebraico , quais cursos freqüentou ,as estratégias de estudo que usou,e qual foi o motivo que te fez estudar este idioma?

R: Quando cheguei ao Brasil com 5 anos, aprendi português rapidamente, mas infelizmente esqueci todo o hebraico. Estudei até a oitava série em uma escola judaica de São Paulo, mas infelizmente posso dizer que hebraico não era o forte deles… No final do primeiro ano de faculdade (em Física), tranquei a faculdade por um ano e fui para Israel fazer parte de um programa de jovens líderes.

Aí sim aprendi bastante hebraico, a imersão foi total. Me dediquei bastante ao estudo da língua, sempre enchendo o saco dos israelenses a minha volta com perguntas de como se fala isso, como se escreve aquilo. Voltei ao Brasil com uma boa base de conversação.

Com 22 anos me mudei para Israel, e durante os primeiros cinco meses estive em Jerusalém em um “ulpan” (escola de hebraico). Estudávamos hebraico 5 horas por dia, todos os dias. No final desse período eu já conseguia ler jornal sem “pontinhos” (embora lentamente) e a escrita havia melhorado consideravelmente.

Depois disso assisti muita televisão com dicionário do lado, e cada vez que escutava uma palavra nova (no começo o tempo todo, mas cada mês que passava menos e menos) eu logo a procurava. Hoje trabalho e estudo em hebraico, muitas vezes me pego pensando em hebraico e até mesmo nos sonhos .

4:No seu aprendizado de hebraico qual parte você deu mais ênfase? Escutar,falar ou escrever hebraico?

R: Eu gosto bastante de gramática, então sempre me dediquei para entender a estrutura da língua, que é relativamente simples, comparando com outras línguas que conheço. Acho que para aprender o hebraico é preciso se apoiar nesses três pilares – falar, escutar e escrever- , sem deixar um deles de lado.

5: Você já visitou algum pais de língua hebraica?

R: Nasci em Israel e moro lá desde 2005. Não sei da existência de outro país onde se fala hebraico.

6: Como surgiu a idéia de criar um blog sobre musica hebraica?

R: Eu de vez em quando traduzia músicas hebraicas para o português, e isso me ajudava a fixar o significado de uma palavra nova. As músicas foram se acumulando e quando eu tinha umas trinta canções traduzidas resolvi compartilhar isso com outros através do blog. Hoje já são mais de 350, e o número segue aumentando! Gosto bastante de música e creio que quando uma pessoa aprende uma língua nova é importante entender a cultura também. Através da música hebraica moderna é possível entender muitos dos conflitos e particularidades da sociedade israelense.

7: Qual cantor(a) que você mais admira na musica hebraica e porque?

R: Gosto de vários, citarei dois apenas: Arik Einstein e Gidi Gov.

Arik Einstein é certamente o cantor de maior importância de Israel. Ele começou a fazer sucesso nos anos 60, e segue relevante até os dias de hoje. Cresci escutando Arik Einstein em casa, e escutar suas canções me causam nostalgia. Toda casa em Israel tem alguns CDs dele.

Gidi Gov é um cantor de voz rouca e muito bom humor. No início de sua carreira fez parte da banda Kaveret, que fazia canções de sátira (muitas vezes nonsense), depois integrou outras bandas por algum tempo e há anos canta solo. Em 2010 fui em um show dele, talvez um dos melhores que já fui!

8.  Você poderia dar um conselho para aqueles   que estão começando a estudar hebraico.

R: Sejam persistentes! É verdade que o alfabeto hebraico apresenta uma certa barreira inicial, mas a recompensa vale! Uma dica aos leitores: escutem a canção “Cholem Bisfaradit”, de Shlomo Idov. É uma canção de amor à lingua hebraica, escrita pelo cantor que nasceu em Buenos Aires, e que vive em Israel há muitos anos.

9: Novamente agradecemos a sua paciência de responder as nossas perguntas , Ficamos profundamente gratos com sua atenção e desejamos muito sucesso com seu blog.

R: Muito obrigado. Parabéns pelo trabalho desse blog!

Para mais informações sobre o Yair Mau , entre no blog

www.shirimemportugues.blogspot.com

FICAMOS POR AQUI E NOS VEMOS NO PROXIMO POST.

Entrevistando Mariana F. T.

agosto 26, 2010

Shalom shalom shalom amigos do blog cafecomhebraico, hj nós vamos começar uma nova seção no nosso blog, vamos juntos entrevistar professores e alunos de hebraico e com eles aprender formas de aprender esta língua , com certeza a historia de vida destas pessoas vai inspirar seus estudos diários.

hj vamos conversar com uma aluna de hebraico , a senhorita Mariana f.T. que é aluna e esta no segundo semestre de hebraico . Com certeza vamos aprender muita coisa com ela e saber como ela faz para aprender esta língua e como funciona seu estudo diário. Vamos lá então!!

Antes de qualquer pergunta eu gostaria de agradecer a senhorita  Mariana por ter aceitado o convite de ser entrevistada, é um grande prazer compartilhar experiências de aprendizado com você .

1: Muito obrigado Mariana por esta entrevista, o blog cafecomhebraico e nossos leitores agradecem a sua participação.

R: Eu é que fico agradecida e feliz por poder ajudá-los.

2: Fale um pouco sobre você como pessoa.

R: Bom, sou uma pessoa bastante interessada no estudo de línguas. Na verdade, só há pouco tempo pude me dedicar realmente a esse meu gosto. Estudo Letras (4º ano), com habilitação em Português e Espanhol.

3: Como você estuda hebraico , quais cursos freqüenta ,as estratégias de estudo que usa,e qual foi o motivo que te fez estudar este idioma?

R: Estudo hebraico na universidade. Quando passei no vestibular, eu queria muito escolher o Hebraico como habilitação, mas o curso era (e é) noturno, daí minha mãe não permitiu porque achava perigoso eu voltar sozinha… Daí, escolhi o espanhol.

Mas o tempo passou e acabei convencendo minha mãe de que estudar à noite seria melhor para mim. Daí, iniciei o curso, porém cursando as disciplinas como optativas. Além do curso de Língua Hebraica II, também me matriculei em Hebraico Bíblico I e Introdução às Línguas Semíticas. Já concluí também o curso de Conceitos da Bíblia Hebraica I (Pentateuco) e II (Profecias).

Minha maior motivação em estudar essa língua belíssima foi o interesse que tenho na Bíblia, sou cristã. Acho que faz muita diferença ler os textos em sua língua original. Como dizem alguns, a tradução muitas vezes é uma traição. Não dá para confiar completamente no que lemos nas versões em português.

Quanto às minhas estratégias de estudo, costumo sempre revisar em casa tudo aquilo que vi na classe. Considero importantíssimo o aprendizado dos verbos. Por isso, em casa, pego um caderno e conjugo várias vezes, como na época em que conjugava em português na escola. Outra estratégia legal é tentar formar frases, assim o estudante melhora sua ortografia e vocabulário.

4:No seu aprendizado de hebraico qual parte você da  mais ênfase? Escutar,falar ou escrever hebraico?e Porque?

R: Certamente, minha maior ênfase é na leitura, devido ao meu interesse na Bíblia, como eu já disse. Isso não significa que eu não valorize a pronúncia ou a escrita. É preciso saber bem essas duas coisas para poder realizar uma leitura de qualidade.

5: Você já visitou algum pais de língua hebraica? Se não visitou , você Tem vontade de visitar em algum dia ?

R: Infelizmente não visitei, mas tenho muita vontade sim! Irei em minha primeira oportunidade!

6: Você  tem encontrado alguma dificuldade no seu aprendizado?,se sim quais são essas dificuldades?

R: Minha maior dificuldade é realizar a leitura sem os diacríticos. A Bíblia sempre vem com as vogais, mas no Hebraico moderno só se escreve com consoantes. Mas isso é só uma questão de conhecer a palavra (e praticar bastante). O Hebraico é uma língua muito simples. As pessoas acham graça quando digo isso. Trata-se de um idioma muito mais simples do que o português, o inglês, o espanhol… Possui muito menos regras. Quem consegue aprender o português normativo (das gramáticas) não pode ter dificuldades com o hebraico.

7: Você conhece algum site que gostaria de nos indicar, ou livros para aprender melhor o idioma?

R: Olha, para quem quer aprender sozinho, tem um site de aprendizado autodidata de línguas, o Livemocha. Para mim, não deu certo, mas conheço pessoas que se identificaram bastante com esse site. Quanto a livros, é difícil encontrá-los em português. Conheço um muito bom, não é o que uso na universidade, mas comprei e pratico bastante em casa. Foi elaborado pela professora Rifka Berezin e se chama Iniciação Ao Hebraico , nos volumes I e II. Ele é ótimo para se estudar sozinho, só fica devendo na pronúncia.

8.  Você poderia dar um conselho para aqueles que estão começando a estudar hebraico.

R: Tenho uma dica essencial para o aprendizado: antes de se preocupar com o vocabulário, pratique bastante o reconhecimento das letras, tanto a cursiva com a de imprensa. Por quê? Porque o estudante tem o costume de fazer a transliteração do hebraico para o português. Comecei fazendo isso e o professor chamou a atenção, recomendando fazer a leitura com as letras hebraicas, sem transcrever para as letras ocidentais, entende? Se você translitera, ficará viciado e nunca conseguirá ler nada em hebraico sem antes imaginar seu equivalente na letra ocidental. Assim, o processo de leitura e aprendizado fica muito, muito, muito mais lento.

9: Como você conheceu o nosso blog ? gostaria de dar alguma sugestão para melhorá-lo ?

R: Vi um tópico em uma comunidade do Orkut. O blog é realmente muito bom, não sei o que sugerir para melhorá-lo.  Parabéns!

10: Novamente agradecemos a sua paciência de responder as nossas perguntas , Ficamos profundamente gratos com sua atenção e desejamos muito sucesso com seu estudo.

R: Sucesso para todos os estudantes autodidatas, e parabéns pelo tempo que dedica ao assunto no site.

Para mais informações da Mariana http://marianaft.wordpress.com/

FICAMOS POR AQUI E NOS VEMOS NO PROXIMO POST